
Enquanto Brasília registra avanços históricos em março de 2026 – com a admissibilidade da PEC 18/2022 na CCJ da Câmara e o caminhar da PEC 14/2021 no Senado, impulsionados pela presença massiva de ACS e ACE organizados pela FNARAS, CONACS e sindicatos –, uma pergunta incômoda ecoa em Palmas-TO: estamos realmente fazendo essa força nacional chegar até o nosso contracheque?
A matéria do Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil (JASB) desta semana é cristalina: somente a mobilização organizada consegue destravar pautas paradas há anos. A pressão presencial e digital fez com que o piso nacional, a aposentadoria especial, a jornada de 30 horas e o IFA ganhassem novo fôlego. 2026 pode ser o ano da virada – mas só se a categoria não se calar.
Aqui em Palmas, porém, a realidade pede uma reflexão dura e urgente.
A Prefeitura anuncia oficialmente que “está pagando o piso nacional”. A tabela do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos municipal, no entanto, conta outra história: o vencimento-base continua abaixo de dois salários mínimos, como determina a Emenda Constitucional nº 120/2022 (art. 198, § 9º). O que chega ao contracheque é um “complemento” artificial que eleva o valor ao mínimo constitucional – nada mais.
Três gerações convivem nessa mesma tabela desatualizada:
– A turma mais antiga, efetivada pela EC 51/2006, Lei Federal 11.350/2006 e Lei Municipal 1.529/2008 – muitos com 30 anos ou mais de dedicação.
– Os aprovados no primeiro concurso de 2014.
– Os recém-chegados do segundo concurso de 2024.
Todos nivelados no mesmo salário-base. Alguns recebem mais complemento, outros menos, outros nenhum. O resultado? O agente que carregou o SUS nas costas por três décadas ganha exatamente o mesmo que o colega que entrou ontem.
Como pode o ser humano aceitar tanta humilhação?
O salário não é luxo. É verba alimentar – o dinheiro que paga o arroz, o feijão, o aluguel, a escola dos filhos, o remédio da mãe. Tirar dele a dignidade de uma carreira reconhecida não é apenas injustiça: é desrespeito à vida de quem sustenta o SUS todos os dias.
A mobilização nacional está dando resultado.
Agora é hora de a mobilização local mostrar que não aceitamos meia verdade, nem complementos de favor, nem o nivelamento por baixo.
A pergunta que não cala é simples e dolorosa:
Vamos usar a mesma força que fez Brasília abrir as portas para cobrar também da nossa Prefeitura a atualização real da tabela e o respeito que 30 anos de serviço merecem?
O silêncio, nunca.
Redação SINDACEN-TO
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